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Mostrando postagens de dezembro, 2020

Passa a régua

31 de dezembro. Sim, esse ano, como todos os outros chegou ao fim. Chegou depois de ter feito a gente sambar miudinho, depois de ter gerado os mais diversos sentimentos em seus 9 meses. Afinal, os três primeiros meses, tão normais que foram, nem contam como 2020, o ano em que escolas passaram fechadas, em que ficamos restritos a nossas casas, em que passamos a ter medo do contato humano. Viramos reféns de uma força da natureza que não poupa ninguém e que nos fez nos posicionarmos: o quão a sério levamos ela? Cuidamos de nós e cuidamos dos outros? O quanto de tempo aguentamos continuar nos cuidando? Por mais absurda que pareça a comparação, me veio à mente as provas de resistência do certo programa de confinamento, só que, ao invés de ganharmos um milhão no final, ganhamos o fato de estar vivos e não termos contagiado ninguém.   E agora que o ano se encerra, as sensações e expectativas vêm misturadas. De repente nossas superstições de roupas de cor específica, de pular 7 ondas, ...

A corrida da vida

Sempre tive uma relação engraçada com o tempo. Sempre me achei em descompasso com ele. Nunca o vi como um companheiro mas sempre como um algoz. "Será que terei tempo de terminar essa tarefa?" "Vamos logo, não quero atrasar!" Ou então, a minha pior relação temporal: "será que estou atrás no tempo?" "Será que já deveria ter feito coisas que ainda não fiz?" Esse sim é um questionamento perverso. Ele dá a impressão que estamos numa corrida da vida em que temos um tempo para chegar. Mas aí eu questiono, chegar onde? Na morte?   Muito dessa sensação de estar "para trás" vem, de fato, da relação que estabelecemos com os outros e das nossas expectativas. Temos vários aspectos em nossas vidas e dificilmente conseguimos manter todos em equilíbrio. Muitas vezes priorizamos carreira, ou então filhos, ou vida acadêmica, por exemplo. Mas sempre que fazemos essa escolha, a fazemos em detrimento de outro aspecto. E é daí que pode vir a sensação de ...