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Mostrando postagens de maio, 2021

Rogai por nós

Existe um certo consenso de que religião, política e futebol não se discute. E por que seria isso? Simplesmente porque esses temas tendem a ser mais emocionais do que racionais. Você não escolhe torcer para o time que torce porque fez uma tabela com os quinze últimos campeonatos, analisou o nível de aproveitamento dos jogos e estabeleceu previsões futuras. Da mesma forma, a religião normalmente é algo herdado, algo que aprendemos com nossa influência familiar. No caso dela ter sido uma escolha própria, possivelmente baseada em reflexão e estudo sobre aquela religião que mais se adapta a quem você é, isso não o/a torna capaz de "defendê-la" racionalmente para os outros: ela combina com as suas crenças e valores e os argumentos que lhe convencem por certo não são universais.   Se, assim como eu, você convive no meio acadêmico, principalmente com professores de história, sociologia ou filosofia, também das áreas de exatas e informática, achará mais difícil encontrar um pra...

Quem não critica se trumbica. Será mesmo?

Fui ensinada desde criança que não sou todo mundo (naquele típico "ah, mas todo mundo tem, ou todo mundo faz") e que deveria sempre pensar por mim mesma, analisar as situações e me posicionar. É claro que isso é algo positivo, mas, que pode trazer consigo um viés talvez não interessante: a crítica excessiva. Essa semana vi numa mídia social o chá de revelação de uma amiga muito querida. Vi a alegria dos pais, dos avós, das poucas pessoas da família que estavam ali. E isso seria algo ótimo, exceto o fato de que sempre critiquei esse evento por achá-lo desnecessário, um exagero criado por famosos para gastar em mais uma festa e depois exibi-la para todos. Precisou alguém que eu admirasse fazer um para que eu parasse para pensar "olha só! Não funciona para mim, mas pode ser bacana". E esse mesmo exemplo certamente valeria para outras situações.   Na verdade, a crítica que fazemos tem sempre no mínimo duas facetas. Uma é a do nosso posicionamento reflexivo, da nossa...

Língua viva (ou Menine empoderade vota em presidenta)

Apesar de ser formada em letras não sou linguista, uma vez que não faço o estudo sistematizado da língua. Mas isso não me impede de ser uma observadora constante dela (admito que muitas vezes até de maneira involuntária). Não consigo deixar de analisar o modo como as pessoas se expressam, os novos vocábulos que surgem, principalmente aqueles que começam a ser usados ostensivamente. Dou um exemplo. Ao menos dentro da minha bolha, o adjetivo potente , e seu substantivo potência , tem sido amplamente utilizados, a ponto de me chamar a atenção. Talvez ele venha junto com a leva do empoderamento , o qual, apesar de genuinamente relevante, acabou adquirindo certo ranço por seu uso em demasia (ao menos essa impressão que sinto).   Na verdade, o que temos que pensar é que não são esses vocábulos específicos que nos movem, mas o que eles representam. E claro que aqui não estamos falando do fato de ideia estar tão tristemente desprovida de seu acento companheiro, o que por certo ainda m...