Dia de vento, dia de mortos
Essa frase que conheci pela personagem Ana Terra, em "O tempo e o vento" , de Érico Veríssimo, não é exatamente sua, mas de pessoas de uma época e de uma região. Me lembrei dela porque estamos a alguns dias da celebração de finados e, ao menos onde estou, o vento já teve início. Como poderiam nossos mortos se comunicar conosco de onde estiverem? O ar, para quem não tem mais um corpo físico, parece mesmo um bom meio. Não só a imaterialidade do vento possibilitaria isso, como sua própria sonoridade, que não nos permite esquecer dele, o vento e também os mortos, mesmo quando estamos abrigados. Mas um dia como o de finados, certamente adquire conotação diferente para cada pessoa. Mais para a campanha, como dizemos aqui, esse dia e o dia de natal são os únicos em que os trabalhadores, por respeito, não vão para a lida do campo. Para muitos, no entanto, ele não passa de mais um feriado, que, se dermos sorte, pode ser um feriadão. Para ...