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Mostrando postagens de maio, 2020

Família é foda

Muitos ao lerem esse título provavelmente pensaram 'Hm, deve estar passando por problemas familiares...'. Enquanto outros simplesmente disseram 'Puxa, que bom que ela gosta tanto da família assim.' Isso porque, dependendo da entonação que damos para ele, ele pode ser bom ou ruim. E na verdade é bem isso que acredito que a família seja. Se, ao mesmo tempo é ela que nos acolhe e de onde normalmente temos a nossa base formada, também é ela que nos passa certos traumas e inseguranças. Ela é tanto nosso salvador quanto nosso algoz. Talvez isso ocorra porque normalmente os familiares são as pessoas mais próximas da gente, com quem temos mais intimidade e de onde acabam vindo os maiores conflitos. Por exemplo, ciúme de irmão ou mesmo a competição entre eles. Demonstra que, é já na família que aprendemos que não vamos ter toda a atenção que gostaríamos ou que não vamos conseguir ser como os outros, e que nem vale a pena tentar. Da mesma forma é a sinceridade de um familia...

Ms Buterfly

Uma mariposa na parede. Uma mariposa na parede enquanto se vê TV. Negra. Parada. Os episódios passando. E ela ali. Os olhos vão da tela para ela, mesmo que não queiram. É automático. Perigo. Perigo? Por ser negra? Como tão bem foi colocado em seu imaginário? Por fazer um barulho como aquele que você ouve dentro de si, mesmo que não seja audível de fato? Pressentimento. Ela vai buscar a luz. Mas chegando lá vai se debater. Debater e fazer barulho. Como quem frita. Então porque busca a luz? Por que se deixa atrair? Não. A pergunta não é essa. A pergunta é: por que ela te move? Qual a diferença para uma borboleta? A leveza, o rufar de asas durante o dia, virando um bater pesado durante a noite. O veludo das asas que mesmo sendo veludo não traz maciez. As asas batendo no meu peito, há tantos anos. O barulho que não cessa. Eu, na parede, esperando, enquanto ainda não estou me debatendo na luz. A luz que eu sei que vai me queimar. A luz que mostra que não sou borboleta. O aviso negro m...

Escreva Marina, escreva.

Sempre acreditei no papel da escrita. Claro, há   a sua função óbvia de registro, como nos documentos, mas não é esse papel a que me refiro. Sempre acreditei no poder catártico das palavras. Muitas vezes, quando não cabia mais em mim mesma, quando precisava me vazar para o papel ou tela, apenas me deixava escorrer por entre as palavras. E lá estava eu, sólida de novo. Só que esse processo de escrita sistemática, de me propor a dia-sim dia-não estar na frente do computador e escrever é algo novo. Claro que é algo que veio com esse tempo mais fluído do home office, mas é algo que veio também de uma coragem não antes experimentada. Outro dia um jornalista falava sobre a arte da escrita e dizia exatamente isso, que o que você mais precisa para escrever é ter coragem. Pois claro. Se antes você falava apenas consigo próprio, no máximo com alguém próximo/a de você, quando sua escrita se torna pública o processo é outro. Você está preparado para críticas? Nesse caso, existe uma linha...

Irmaos

_ Mãããe olha o Pedro! _ Ana, você já tá com 40 anos! Tá falando sério mesmo? _ Mas ele segue implicando comigo. _ Ele só implica porque tu dá bola.  _ Ai, tu sempre disse isso, desde pequena.  _ E tu sempre deu bola _ Mãe! Ele tá me mostrando a língua! (a mãe revira os olhos) _ Cadê o meu pedaço de lanche? _ ... _ Tô falando sério. Cadê meu lanche que eu deixei para o café? _ Ah, sei lá, vai ver o pai comeu... _ Mentira! O pai sabe que tem coisa que é sagrada. Foi tu né? _ Nada. Imagina. _ Só pra te dizer eu tinha lambido ele todo.  _ Ui João, que nojo! _ Assim aprende a não comer lanche dos outros.  _ Tenho uma festa para ir, tu tem alguma roupa para me emprestar? _ Ah, tem aquele vestido com estampa tropical, mas... _ Mas o quê? _ É que... Bem... Eu acho que ele deu uma encolhida... _ Tu tá querendo dizer que eu engordei? _ Tu sabe né, a gente ficou tanto tempo em casa, sem fazer ginástica... _ Também eu nem gosto dele. Tem outro? _ Ah, tem aquele, o rosa claro. _ ...

Liberdade

Dentro de um canavial o negro se libertou E lá não tinha pra ele nem chibata e nem feitor E lá não tinha pra ele nem senzala e nem senhor Um grito de liberdade (ponto de umbanda)     O velho sentou para descansar. Sabia que não podia, que seria castigado se fosse encontrado, mas precisava. Já não era mais o mesmo de antes. Suas pernas agora fraquejavam. Precisava por vezes sentar. Sabia que tinha que terminar aquele lote hoje, mesmo que já fosse escuro. Tudo bem, estava acostumado com a escuridão. Não conhecia mais que a luz do sol. Conhecia a escuridão da noite. A escuridão do trabalho. Eles mesmos escuridão. Passa um pano para limpar o suor da testa. Respira fundo. Tinha que continuar, se ainda quisesse terminar hoje. Não sabia quanto tempo mais tinha de vida, mas tinha que continuar... Alguém se aproxima. Levanta-se logo. _ Pai! Aconteceu pai! Aconteceu! _ O que meu fio? _ Ela assinô, a princesa assinô! _ Assinô u quê? _ U fim da escravidão, meu pai! A...

Se eu fosse você...

S'eu fosse você... não comia açúcar S'eu fosse você... não comia sal S'eu fosse você... me exercitava mais S'eu fosse você... acordava mais cedo S'eu fosse você... não dormia tanto S'eu fosse você... me estressava menos S'eu fosse você... fazia mais caridade S'eu fosse você... teria filho logo S'eu fosse você... falava menos S'eu fosse você... não me vestia assim S'eu fosse você... Espera! Aonde você tá indo? Faltou dizer... Que, se eu fosse você, viveria mais feliz.

Receita de felicidade

A receita da felicidade: Acorde uma hora mais cedo, medite, escreva, leia, mentaliza, visualize, se exercite. Tua vida irá mudar! Faça mais do que lhe faz bem. Desapegue-se. Viva intensamente. Valorize o que tem valor. Aproveite os pequenos momentos. Elas podem vir em 6 dicas, 8, no máximo 10 (nunca números ímpares, que dariam azar). A não ser que tenham sido encaminhadas no grupo da família do whatsapp, aí elas seriam 42, claro. Mas e eu pergunto: por acaso alguém sabe o que me faz feliz? Será que essa receita encaixa para qualquer paladar? Ou virou apenas uma receita para o prato da moda, da nossa geração, que fica bem publicado nas mídias? Acredito que a gente demore um tempo, mas consiga descobrir algumas coisas, alguns ingredientes da nossa própria felicidade. Eu já tenho a minha lista por exemplo, ao menos parte dela. Preparar um prato novo, com uma mistura de sabores inusitadamente deliciosa. Conseguir fazer uma atividade física nova. Fazer uma descoberta. Ler um livr...

Medo

O medo é algo fundamental. Ele surgiu lá quando o homem descobriu que tinham animais maiores ou mais perigosos que lhe comiam e animais muito pequenos que lhe picavam. É ele que garante que você não saia andando à noite por uma rua escura mexendo no celular, ou que não cole numa prova com o professor na sala, ou atravesse a rua de olhos fechados, ou, nos tempos de agora, saia na rua sem máscara dando beijos e abraços por aí. Ele é responsável pela nossa proteção. Seja física ou moral (quantas vezes não protegemos nosso ego?). Basta pensar que se não fosse nosso medo da morte, muitos de nossos hábitos seriam diferentes (o quanto deles será mudado pós-vírus?).  E acreditem, de medo posso falar. Sempre tive medo, muito medo. Desde criança. Do que eu tinha medo? De tudo. Meio na base do "Não sei, só sei que tinha". Um bom exemplo dele acabou virando uma anedota familiar relembrada nos momentos de tertúlia. O caso de um susto dado por um primo meu, em que minha reação foi me jogar...

Vai trabalhar meu filho!

Muito de quem somos ou da nossa relação com o mundo é mediada pelo trabalho. Desde criança quando nos perguntam o que seremos quando maiores, a resposta esperada por certo não é "Grande" ou "Inteligente" ou ainda "pai/mãe". Ou quando alguém pede nossa descrição, já adultos, e simplesmente respondemos com nossa profissão. Não é tão mais fácil? Não ter que se questionar de fato quem somos, para já respondermos com o que trabalhamos? Mas, na verdade, não acredito que esteja muito distante da realidade. No Brasil, a jornada de trabalho é de 40h semanais. Se somos autônomos ou trabalhamos em casa, provavelmente trabalhamos muito mais. Então acabamos mesmo achando que somos nosso trabalho. E, claro, em comparação, aqueles que não têm um trabalho fixo remunerado são ninguém. A verdade é que o quanto trabalhamos e para que trabalhamos estão diretamente relacionados. O quanto trabalhamos depende se o fazemos para ganhar 1 milhão ou se trabalhamos para pagar a...