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Mostrando postagens de janeiro, 2022

Olhos de quem vê

Você provavelmente já leu em algum lugar sobre a metáfora de trocar os óculos para ver a vida com outros olhos. Pois outro dia me peguei pensando nela. Isso porque, enquanto eu passeava por um lugar onde passo sempre no meu dia a dia, me vi prestando atenção em duas árvores que estão ao lado uma da outra e que neste momento estão floridas. Uma com viçosas flores vermelhas de cinco pétalas e a outra com flores também grandes e cor de rosa. Uma mais alta, a outra mais copada. E eu me vi pensando que elas faziam uma bela dupla, que combinavam assim, lado a lado, que constituíam realmente um rico par. E não pude deixar de sorrir com essa minha observação e de pensar que é disso que é feita a literatura: um olhar de quem procura ver além do banal, de quem observa e, principalmente, de quem imagina. Eu não cheguei a ir adiante com o pensamento, mas é bem possível que se o fizesse imaginaria um par de dançarinas talvez, com suas saias floridas dançando carimbó em Santarém, no Pará. Ou duas ...

Lembra daquela?

Imagine a cena. Você e aquele ou aquela velha amiga se reencontram depois de anos para um café. Após um forte abraço e contar um pouco o que estão vivendo, é bem provável que venha também uma sessão nostalgia. O momento de relembrar outros tempos, situações compartilhadas que, de alguma forma, marcaram a amizade. O mesmo poderia se passar numa reunião familiar, ou num grupo de amigos reunidos. E dependendo do número de pessoas, as lembranças poderiam se suceder por um longo tempo, porque certamente não faltaram momentos vividos que valessem ser relembrados. O mais bacana dessas memórias é que não cansamos de relembrá-las por diversas vezes, muitas mudando algo, acrescentando um detalhe, tudo dependendo do interlocutor e do entusiasmo do momento. E é claro que, mesmo que você não tenha feito parte de alguma delas, elas passam a ser suas também, de tanto que foram ouvidas. Há na minha família um caso clássico desses, em que uma lembrança de infância se passou na antiga Caravan do meu p...

Feliz bom ano

Pois bem. Lá estamos nós de novo. Um ano que se inicia, mesmo que seja ainda um desses anos que não sabemos bem se irá valer para a nossa conta de anos vividos. Isso porque desde que entramos em pandemia e nos vimos forçados a deixar em stand by muitos dos hábitos que tínhamos, como viajar e encontrar pessoas, por exemplo, ou pular carnaval e ver os fogos da virada, brincamos, mas com um certo grau de verdade, que esses anos não contam, que agora estaríamos iniciando 2020 e não 2022. Mas será mesmo? Datas festivas são sempre controversas pois há, de um lado, a tradição e de outro como nós decidimos passá-las. O ano novo certamente é uma dessas. Você pode vestir branco, pular sete ondinhas, comer a uva ou a romã, tomar champanhe, assim como você pode não fazer nada disso. Não são os rituais que fazem com que o ano que se inicia seja bom ou não, mas é sim o seu estado de espírito, a sua intenção para o ano. Se você acredita, por exemplo, que todo começo é sempre uma nova oportunidade i...