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Mostrando postagens de agosto, 2020

O quanto vale

  De ir na venda com a mão cheia de moedas e comprar tudo de bala até saber como gastar o seu salário, o caminho é longo. São poucos os pais e mães que sistematicamente ensinam isso aos filhos, dificilmente há uma disciplina de educação financeira na escola. Então como aprendemos? Na tentativa e erro, torcendo para que os erros sejam poucos, claro.   A primeira questão é como ganhamos o nosso dinheiro. Somos funcionários? Funcionários públicos? Autônomos? Empreendedores? Fazemos investimentos? Com quanto de risco? Essa questão vem junto com outras que são o quanto de dinheiro gastamos e precisamos, se nos endividamos, se conseguimos poupar e até questões mais subjetivas como qual nossa relação com o dinheiro e se vemos ele como nosso amigo ou inimigo. A nossa postura nessa relação monetária é construída muito a partir de como fomos criados, do exemplo de nosso família, além, é claro, das oportunidades que tivemos e, principalmente, da nossa própria personalidade.   ...

Nós e a morte

Essa semana aconteceu um fato no mínimo chocante que faz a gente pensar um pouco. Em uma rede conhecida de supermercados um dos fornecedores acabou falecendo enquanto repunha mercadoria. Até aí   ok, afinal a morte foi natural e faz parte da vida. A questão é que a gerência do estabelecimento, ao invés de fechá-lo para seguir com os procedimentos necessários, "escondeu" o corpo ali, no corredor do supermercado, com caixas, guarda-sóis, e seguiu funcionando como se tudo estivesse normal. Após o acontecimento viralizar, a rede se pronunciou dizendo que mudaria seus protocolos. Será que acrescentarão "Em caso de morte no estabelecimento, fechar o local"?   Nem vou entrar aqui no mérito de o quanto a vida vale nesses dias, mas refletir sobre o quanto percebemos e respeitamos o outro, ou o quanto queremos nossa própria sobrevivência. Acreditar que todas as pessoas que decidiram por deixar o corpo no corredor do supermercado por três horas eram reencarnacionistas e qu...

De pai pra pai

  Dizem que a maternidade nasce junto com o filho, que é algo natural você saber o que fazer com aquele bebê que acabou de sair de si. Mas e a paternidade, como ficaria? É fato que o vínculo do pai apresenta nove meses de distância temporal do materno. E como será que ele nasce? Seria tão "natural" como é para mãe? Porque é claro que existe algo de instinto, de fazer sobreviver a espécie, mas existe também, lado a lado, o aspecto social, as diversas bonecas que foram dadas às futuras mães, enquanto aos pais eram dados carrinhos ou elementos bélicos (daí talvez nossa ideia de que mãe cuida e pai protege).   "Espera teu pai chegar para tu vê só."   "Só se teu pai deixar." "Deixa esse pedaço pro teu pai." Essas foram frases muitas vezes ouvidas por nós que temos mais de 30. Elas demonstram como a paternidade foi pensada por muito tempo. O pai representava a ordem, a disciplina, aquele que era a autoridade e a quem igualmente cabia o melhor pedaç...

Aos dentes

Nossa relação com os dentes começam já desde pequenos. O incômodo dos primeiros que nascem, o susto dos primeiros que caem. A língua confirmando a todo momento que o dente está mole. A coragem que criamos para puxá-lo. A expectativa pela fabulosa invenção da fada do dente. Os elogios pela nossa primeira porteira. A consciência criada nas últimas gerações da importância de escová-los, ao menos três vezes ao dia, de preferência depois de cada coisa que se come. Nós e nossos dentes, desde pequenos. Venho de uma família com um número expressivo de dentistas, seis ao total. Isso por certo torna essa relação com a saúde bucal mais direta, faz o medo do dentista muito mais ameno. A primeira função, talvez menos relevante, mas socialmente mais necessária de nossa dentição seria a função estética. Sorrisos banguelas só são bonitos em bocas rosadas de bebês ou em bocas sinceras de velhos ermitões. Para nós, no dia a dia, um sorriso branquinho de dentes alinhados certamente abre muitas port...