Lembra daquela?
Imagine a cena. Você e aquele ou aquela velha amiga se reencontram depois de anos para um café. Após um forte abraço e contar um pouco o que estão vivendo, é bem provável que venha também uma sessão nostalgia. O momento de relembrar outros tempos, situações compartilhadas que, de alguma forma, marcaram a amizade. O mesmo poderia se passar numa reunião familiar, ou num grupo de amigos reunidos. E dependendo do número de pessoas, as lembranças poderiam se suceder por um longo tempo, porque certamente não faltaram momentos vividos que valessem ser relembrados.
O
mais bacana dessas memórias é que não cansamos de relembrá-las por diversas
vezes, muitas mudando algo, acrescentando um detalhe, tudo dependendo do
interlocutor e do entusiasmo do momento. E é claro que, mesmo que você não
tenha feito parte de alguma delas, elas passam a ser suas também, de tanto que
foram ouvidas. Há na minha família um caso clássico desses, em que uma
lembrança de infância se passou na antiga Caravan do meu pai. Até aí tudo bem,
se não houvesse no mínimo umas oito pessoas que afirmam terem estado lá para
lembrar também - isso tirando o motorista e o carona, claro. É que nessas
memórias não importa tanto o vivido mas principalmente o imaginado.
Outra
característica delas é que, por mais óbvio que seja, elas são particulares.
Isto é, dizem respeito apenas a aqueles que as viveram ou que convivem muito de
perto com esses. Percebemos essa característica quando há um amigo novo, ou um
novo namorado ou namorada no grupo e tentamos explicar a situação que ele/ela
acabou de ouvir ser contada entre gargalhadas. Da mesma forma que a explicação
vai acontecendo a graça parece ir se esvaindo e ele/a se vê obrigada a esboçar um
sorriso amarelo de concordância, muito mais por simpatia que de fato por achar
engraçado. Mas, para quem viveu aqueles momentos, certamente eles parecem ser
universais, já que causaram impressão tão grande nos envolvidos.
Mas
e por que será que é tão gostoso relembrar? Por que nos faz tão bem essas
sessões? Ao lembrarmos essas situações descritas não apenas as estamos
revivendo, como também estamos garantindo que elas não se apaguem, que, mesmo
oralmente, elas não sejam esquecidas. Talvez seja por isso também que é muito
comum alguém surgir com a ideia de que as memórias "davam um livro",
no que todos concordam entusiasmados. Fato é que, poucas vezes essa intenção de
fato se concretizaria. Principalmente porque, como dito no parágrafo anterior,
muito do pitoresco de cada memória diz respeito aos personagens envolvidos e
suas particularidades, o que não caberia
no livro, ou, se coubesse, o tornaria provavelmente maçante. É possível que o
que se busque também com essa publicação, seja não apenas tornar esses momentos
eternizados, mas também validá-los em algo mais concreto que apenas cuspe e ar.
Para que da próxima vez que alguém falar "lembra daquela?" muitas pessoas possam
balançar a cabeça e não apenas por educação.
Estamos fazendo isso nesse exato momento. E você conseguiu traduzir esse sentimento em palavras ❤
ResponderExcluir