Um passeio por Coqueiros (ou simplesmente 'Saudade')


Cheiro de maresia. Brisa no rosto. Barulho do mar.
Procurei um café que eu jurava já tinha ido. Não achei (será que ele nunca existiu?)
Caminhei pelas ruas de Coqueiros. Bairro nobre. A essa hora, meio da tarde, encontrei apenas o jardineiro que mantém as flores em ordem, o pintor que arruma a fachada, a moça da limpeza que cuida, claro, do trabalho sujo.
A essa hora, os donos das casas estão garantindo o meio de tê-las e mantê-las.
A água é cristalina. O sol agora reflete nela. Reflete também no meu papel.
É engraçado como o mar tem uma força contemplativa.
Encontro também pelo meio do caminho pessoas sentadas olhando esse mesmo mar, esse mesmo imenso azul, esverdeado, ouvindo o mesmo movimento cadenciado da água. 
O que será que o mar diz a elas? O que será que elas dizem ao mar? Ou será que cantam?
Seria bom se cantassem...

Sigo para Itaguaçu, na festa das bruxas de pedra.
E essas pedras, o que será que elas cantam? Talvez apenas repitam em voz sussurrada, continuamente os seus encantamentos. Eu sei que com certeza dançam. Dançam encantadas à luz da lua. Dançam enquanto o sol não vem de novo transformá-las em pedra.

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