Escreva Marina, escreva.
Sempre acreditei no
papel da escrita. Claro, há a sua função
óbvia de registro, como nos documentos, mas não é esse papel a que me refiro.
Sempre acreditei no poder catártico das palavras. Muitas vezes, quando não cabia
mais em mim mesma, quando precisava me vazar para o papel ou tela, apenas me
deixava escorrer por entre as palavras. E lá estava eu, sólida de novo.
Só que esse processo
de escrita sistemática, de me propor a dia-sim dia-não estar na frente do
computador e escrever é algo novo. Claro que é algo que veio com esse tempo
mais fluído do home office, mas é algo que veio também de uma coragem não antes
experimentada. Outro dia um jornalista falava sobre a arte da escrita e dizia
exatamente isso, que o que você mais precisa para escrever é ter coragem. Pois
claro. Se antes você falava apenas consigo próprio, no máximo com alguém
próximo/a de você, quando sua escrita se torna pública o processo é outro. Você
está preparado para críticas? Nesse caso, existe uma linha tênue entre
compreender o que é crítica à escrita e o que é crítica a você próprio, já que
muito do que está nos textos é seu próprio reflexo.
Há ainda outra
questão que diz respeito a própria produção de textos. Você está escrevendo
para quem? Em alguns casos (talvez o de autores iniciantes como eu) essa
expectativa da recepção passa a ser algo que tolha a própria escrita. Se antes
ela era fluída e um tanto espontânea, quando se escreve pensando que os outros
vão ler muito disso se perde. Ela torna-se modelada, envernizada, perfumada.
Queremos que aqueles poucos leitores que conquistamos continuem nos lendo. Mas,
o mais interessante talvez seja que, ao fazermos essa adaptação da nossa escrita, nem levamos em
conta que provavelmente tenha sido exatamente o nosso estilo e o que pensamos
que atraiu a atenção desses leitores em um primeiro momento. Irônico, não é?
Talvez este traço
autoral definido e confiante venha mesmo com o tempo, quando você percebe que
sim, as pessoas continuam lendo o que você escreve, mesmo que talvez não seja o
que imaginavam. Ou quando você simplesmente não se importa com isso (mas acredito
que esse nível de abstração seja mais difícil). Ah e certamente virá também
quando você se acostumar com o fato de que não escreverá como os grandes
autores/as que admira (mesmo que saiba que eles estejam ali, em você, no leitor que
formaram que acabou decidindo escrever). É aí que você se satisfaz em ser você
mesmo, você mesmo expresso em palavras, como tanto gosta, para quem gostar ou
não.
Escrever é uma forma de liberdade, de sonhar. O escritor pode criar personagens, pode dar voz aos que pouco falam. Literatura é arte, paixão. Quem nunca leu um livro não pode entender isso. Escreve Marina, escreve...
ResponderExcluirConcordo totalmente. Por um mundo com mais escrita!
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