Receita de felicidade
A receita da
felicidade: Acorde uma hora mais cedo, medite, escreva, leia, mentaliza,
visualize, se exercite. Tua vida irá mudar! Faça mais do que lhe faz bem.
Desapegue-se. Viva intensamente. Valorize o que tem valor. Aproveite os
pequenos momentos. Elas podem vir em 6 dicas, 8, no máximo 10 (nunca números
ímpares, que dariam azar). A não ser que tenham sido encaminhadas no grupo da
família do whatsapp, aí elas seriam 42, claro.
Mas e eu pergunto:
por acaso alguém sabe o que me faz
feliz? Será que essa receita encaixa para qualquer paladar? Ou virou apenas uma
receita para o prato da moda, da nossa geração, que fica bem publicado nas
mídias?
Acredito que a gente
demore um tempo, mas consiga descobrir algumas coisas, alguns ingredientes da
nossa própria felicidade. Eu já tenho a minha lista por exemplo, ao menos parte
dela. Preparar um prato novo, com uma mistura de sabores inusitadamente deliciosa.
Conseguir fazer uma atividade física nova. Fazer uma descoberta. Ler um livro
que me instigue. Ver meus alunos engajados aprendendo. Acompanhar o crescimento
dos meus sobrinhos. Ver a capacidade criativa das crianças e jovens. Quando meu
cabelo fica lindo. Quando eu compro uma roupa muito legal, que me cai muito
bem, por um preço bacana. Quando eu consigo ajudar alguém e isso só me faz bem.
Quando vejo que alguém tem orgulho de mim. Quando eu
tenho orgulho de mim. Quando eu consigo apenas relaxar. Quando me fazem uma boa
surpresa. Quando eu consigo ser mais leve. E nesse meio tem as pequenas
felicidadezinhas tipo, olhar a hora do relógio e todos os números estarem
iguais, dar uma ponta na piscina antes da aula de natação, chegar no meu
trabalho e a única vaga de estacionamento em que não é necessário manobrar
estar disponível.
Só que nenhum desses
exemplos estaria num artigo de revista, ou numa mensagem de whatsapp, porque é
certo que felicidade é algo muito pessoal. Na verdade, penso até que ela seja
superestimada, como o pote no fim do arco-íris que devemos encontrar. A felicidade
é feita claro desses pequenos momentos de prazer, mas ela também é feita da
decepção, do medo, até da tristeza. Se como eu disse no post do medo, é dele
que vem a coragem, o mesmo acontece na relação alegria, tristeza. Será que eu
saberia que estou feliz, se nunca estivesse estado triste? Acho que nosso fim
não deveria ser a busca da felicidade plena. Deveria ser buscar pequenos contentamentos, aceitar mais o que for chato ou difícil, e nisso
sentir-se mais confortável. E guardar essa receita para si. Porque ela é sua, e
de mais ninguém. E ir adaptando a cada fase da sua vida. E ir preparando a sua
pequena porção de felicidade.
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