O quanto vale

 

De ir na venda com a mão cheia de moedas e comprar tudo de bala até saber como gastar o seu salário, o caminho é longo. São poucos os pais e mães que sistematicamente ensinam isso aos filhos, dificilmente há uma disciplina de educação financeira na escola. Então como aprendemos? Na tentativa e erro, torcendo para que os erros sejam poucos, claro.

 

A primeira questão é como ganhamos o nosso dinheiro. Somos funcionários? Funcionários públicos? Autônomos? Empreendedores? Fazemos investimentos? Com quanto de risco? Essa questão vem junto com outras que são o quanto de dinheiro gastamos e precisamos, se nos endividamos, se conseguimos poupar e até questões mais subjetivas como qual nossa relação com o dinheiro e se vemos ele como nosso amigo ou inimigo. A nossa postura nessa relação monetária é construída muito a partir de como fomos criados, do exemplo de nosso família, além, é claro, das oportunidades que tivemos e, principalmente, da nossa própria personalidade.

 

Quando passamos a ganhar nosso próprio dinheiro, junto com ele já vem a decisão primeiro se vamos usá-lo só conosco ou se retribuiremos os gastos que nossa família teve até então conosco. Suponhamos que a gente possa gastar consigo, no que você vai gastar e o quanto vai gastar certamente estará ligado a o que sua família sempre valorizou. Era comprar livros? Comer em bons restaurantes? Tecnologia de ponta? Roupas, bolsas, sapatos? Carros? Viagens? Claro que aqui estamos pensando em famílias que não precisam se preocupar com a subsistência, mas que podem gastar nos extras. E o processo de conseguir ir aprendendo com o exemplo que teve, mas construindo parâmetros que sejam seus, é também o processo de tornar-se adulto, de ser responsável tanto pelos seus ganhos, como pelos seus gastos.

 

Só gasta bem quem conhece a si. Essa é minha máxima financeira. Quais são seus valores é o que irá determinar no que você irá gastar seu dinheiro. É você quem terá que escolher se o vestido que usará apenas uma vez em um casamento vem de uma estilista famosa, de uma loja ou de um brechó. Se seu carro é para guiar ou para mostrar para o vizinho. Se você verá filhos como mais um custo, ou como algo fundamental em sua vida. Se caridade é algo que entra no seu planejamento de custos, por exemplo. E quanto mais nós sabemos o que é importante para nós, mais fáceis ficam essas decisões, tornando o dinheiro uma fonte de bem estar e não o contrário. Porque termos dinheiro para podermos escolher o que fazemos com ele é com certeza um privilégio.


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