Temporize
Numa dessas tantas lives da quarentena, chegou a mim um conceito que julguei como muito coerente: tudo que a gente tem na vida é o tempo. Se a única coisa certa na vida é a morte, e a morte representa nosso tempo de vida, é difícil não concordar com essa afirmação. Se temos trabalho, família, hobbies entre outras tarefas, tudo isso exige tempo. Mesmo que a gente nem perceba. E aqui nem estou falando da nossa relação com o tempo do tipo, ter pressa ou não para que as coisas aconteçam, sentir que o tempo passa rápido ou lento demais. Me refiro ao tempo presente mesmo, ao que está passando conforme você lê essa crônica.
É engraçado como a gente sempre parece estar atarefado, pensando "Eu não tenho tempo para nada. Estou atolada de coisas a fazer." E, ao mesmo tempo em que falamos isso, passamos sem nem perceber 1h - ou mais! - vendo stories de uma mídia social, apenas para passar o tempo. Claro que isso não está errado, é uma das nossas distrações contemporâneas, mas, colocando na balança, retrata como lidamos com o tempo de modo controverso. Quanto de tempo gastamos, investimos ou abrimos mão e a nossa percepção de o que aconteceu com esse tempo, nem sempre é uma relação direta.
Na verdade, ter ou não tempo, sempre é uma questão de escolhas e prioridades. Se só trabalho, se tenho hobbies, se passo com família e amigos, se me exercito, se tenho um tempo verdadeiramente ocioso todos esses aspectos são sempre escolhas feitas. Mas, você pode dizer, o tempo do trabalho acaba abrangendo a maior parte das nossas horas e isso nem sempre é uma escolha. Certamente, mas a relação com ele, isso sim está nas nossas mãos. Se ele é algo que gostamos, maravilha, mas se nosso trabalho é, na verdade, fonte de insatisfação, será que devemos passar boa parte do nosso tempo de vida nele? Taí algo para se avaliar.
Da mesma forma, diante da máxima capitalista de que tempo é dinheiro, podemos pensar na exploração do trabalhador que não tem direito a uma folga para o cafezinho. Mas podemos igualmente pensar que, se valorizamos tanto o dinheiro que ganhamos, por que muitas vezes não fazemos o mesmo com o nosso tempo? Não ter pressa, mas desfrutar, estar presente em cada ação que se faça, percebê-la de verdade, independente de ser trabalho ou lazer, já é um bom caminho para aproveitar nosso tempo. E pensar sempre se o que priorizamos fazer em nosso dia a dia é apenas para preencher tempo ou se é, de verdade, vida vivida. Afinal, vale se perguntar, quanto vale a sua hora?
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