Hobbies para que te quero
Na vida normalmente nos é ensinado o valor do
trabalho, de ser produtivo, de estar ocupado. No entanto, tão importante quanto
trabalhar é saber se distrair, conseguir ter tempo livre e nesse momento
ocupar-se com algo que lhe dê prazer. Se você nunca tinha pensado nisso, certamente
agora na pandemia pensou. Estando limitado basicamente a sua casa, você
possivelmente se viu pensando em alguns momentos "e agora, o que eu
faço?". Se você ainda não tinha hobbies, é bem possível que muitos
surgiram desse contexto.
Nesses seis meses mais isolada e trabalhando
home office, eu adotei um gato, fiz uma tatuagem, coloquei prateleiras no meu
escritório, descobri e fiz receitas vegetarianas, aprendi a assar paleta de
ovelha (porque tudo na vida tem que ter equilíbrio), ah sim, e comecei a
escrever. Tudo porque eu precisava me ocupar, me ocupar e talvez não pensar
tanto na situação do nosso país. Quem tem crianças então, tenho certeza que a
criatividade deve estar indo às alturas, principalmente se você é o tipo de
pessoa que não quer deixá-los com eletrônicos 14h por dia.
Passar álcool em gel nas mãos, nas compras e
em todos lugares, não é um hobbie mas um hábito necessário. Mas, talvez para
algumas pessoas, fazer máscaras, por exemplo, pode ser sim uma distração. São
mudanças que a pandemia nos exigiu e que talvez reflitam no nosso estilo de
vida mais tarde.
O interessante em relação aos hobbies é que
há aqueles mais aceitos do que outros. Se você é adulto e lê livros, vê filmes e séries,
está tudo bem. Mas se você joga videogame, jogos de tabuleiro ou RPG, talvez
você já seja visto meio enviesado, como alguém que não se comporta como a sua
idade. Engraçado que nossos parâmetros são invertidos nesse caso, porque jogar
alguns tipos de jogos te exigem muito mais raciocínio do que assistir passivamente
alguma história (sabendo claro que há histórias e histórias). Além disso, para
quem quer buscar hobbies novos, isso significa arriscar-se, sair da zona de
conforto para fazer algo que você não estava acostumado. E por mais que possa
ser desconfortável no início, o prazer de conseguir é muito mais gratificante
depois. Esse arriscar-se mesmo correndo o risco de parecer ridículo ou de ser muito ruim,
além de aumentar teu leque de distrações, aumenta tua capacidade de aprender a
lidar com o não planejado (como foi o caso dessa pandemia e de tantos planos que
não pudemos concretizar).
Na verdade, nossa relação com o tempo livre
está diretamente relacionada a sabermos o que gostamos, aceitarmos isso e
estarmos dispostos a fazer. Às vezes, quem se viu encurralado pela pandemia é
alguém que nem estivesse acostumado a ter tempo livre em casa. Normalmente
achamos que se distrair é ir a lugares, fazer visitas, e morremos de tédio se
temos um dia de chuva (numa cidade com poucas opções além daquelas ao ar livre,
por exemplo). Na verdade, saber distrair-se faz parte da nossa saúde mental e é
um aprendizado fundamental para se viver bem. Qualquer coisa, sempre há uma
crônica para ler, não é?
Excelente reflexão, particularmente nessa época de isolamento social. Acredito que essa esteja sendo, para muitos, uma oportunidade para estar mais conectado à si mesmo e encontrar - ou reencontrar - atividades que lhe agradem e que não dependam de outras pessoas para serem realizadas.
ResponderExcluirExatamente. Já disse um sábio uma vez. Hehe ; )
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