Para você, uma maçã
Ela forma todas as profissões. Ela traz muitas lembranças para você, das mais inspiradoras às mais amargas. É uma profissão que muitos julgam precisar de dom, que todos dizem admirar, mas que o país parece cada vez mais negligenciar (com o perdão da rima). Na semana do professor, vale pensar um pouco sobre a docência.
Eu não sou o tipo de professora que soube que
o seria desde de pequena, daquela que dava aulas para suas bonecas. Na verdade,
cursei um ano de fisioterapia antes de migrar para letras. Filha de pais
professores, eu sabia o quão puxada pode ser essa vida, de provas e trabalhos
em casa, de uma rotina bem desgastante mesmo. Mas, parece que estou naqueles
casos em que a profissão está no DNA, e não consigo me imaginar mais sendo
qualquer outra coisa. Amo a interação com os alunos, adoro novos projetos,
vibro quando vejo a evolução de quem está aprendendo, assim como tantos colegas
meus.
E não podemos negar que professores/as marcam
nossas vidas. Tenho lembrança dos meus professores de escola, do que eu
admirava neles, tanto em termos de didática como de trabalhos específicos que
eles/as passavam para a gente fazer. E o que eu achei mais bacana dessas
memórias, que ficam conosco mesmo que a gente nem perceba que estão lá, foi que
elas me formaram também como professora. Depois de anos ensinando inglês,
quando comecei a ensinar língua portuguesa, me vi agindo muito parecido com uma
professora minha de ensino fundamental, provavelmente uma das responsáveis por
aumentar minha paixão pelo assunto. E como foi prazeroso ver que eu estava
conseguindo seguir seus passos e, talvez, fazer a diferença para alunos/as, como
ela havia feito para mim (claro que mandei mensagem para ela dizendo dessa
minha descoberta e gratidão pelos ensinamentos).
Apesar dessa parte gostosa da profissão, há,
no entanto, dois pontos que acho importante serem ponderados. Um deles é que,
não é porque amamos o que fazemos que devemos "nos matar" por amor a
camisa. Claro que é lindo ver a história de um/a professor/a que, puramente com
seu esforço, conseguiu vencer adversidades e auxiliar seus alunos no processo
de aprendizagem. Mas, não deveríamos contar apenas com isso. Esse/a professor/a
deveria ter uma boa estrutura para suas aulas, não só física como de pessoas,
uma rede de apoio pedagógica e social. Nossas escolas deveriam ser bem
estruturadas, ter material. Nossos alunos deveriam estar bem alimentados, bem
vestidos. E, nesse contexto, o "amor" e dedicação do professor viriam
apenas como adicional, e não como a grande mola propulsora do processo de aprendizagem.
Outro
ponto que acho relevante ponderar é que, por mais que o papel dos professores
seja extremamente relevante, não há professores apenas nas escolas. A
benzedeira, o pescador, o agricultor, a merendeira, para citar apenas alguns
exemplos, irão nos ensinar todo um lado empírico de suas profissões que muitas
vezes não estarão nos livros didáticos. A educação não formal, aquela que vem
com a experiência e que passa de geração em geração certamente deve ser tão
respeitada e valorizada quanto a formação acadêmica que tanto almejamos. A
questão é quem está disposto a aprender e a ver no outro uma fonte de
conhecimentos diversos dos seus. Afinal, por mais óbvio que seja dizer isso,
não há professores sem alunos e, no fim, por mais que haja uma troca
maravilhosa entre quem ensina e quem aprende (sendo que ao se ensinar também se
está aprendendo), a aprendizagem no final é do aprendiz, de suas expectativas,
capacidades, intenções. É por isso que uma frase que ouvi há algum tempo faz
muito sentido: o mestre só aparece para quem está pronto. Em outras palavras,
sim é preciso ensinar, mas sempre de acordo com aquele que busca aprender.
Perfeita essa abertura para troca de aprendizado, mesmo que algumas coisas aparentemente não sejam para um desenvolvimento presente. Certamente coisas passadas que possivelmente não demos valor, hoje nos tornam seres humanos melhores.
ResponderExcluirExatamente Hugo. E vamos sempre de aprendizado em aprendizado.
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