A arte do encontro (da série "Solteira procura: paz")
Na época de nossos pais ou avós, rapazes faziam a corte às meninas; namoravam no sofá às quartas-feiras, às vistas dos pais ou de uma tia, e para passar de segurar a mão para o beijo ia um tanto. Os tempos mudaram, os modos de namoro também. Há claro aqueles que vão dizer que o jeito de hoje está perdido, que tudo é muito rápido, frívolo, há até quem diga promíscuo. Mas, julgamentos de valor a parte, vale entender esse novo jeito não só de namorar, mas de conseguir encontrar pessoas.
Nos
tempos de hoje, conseguir encontrar alguém disposto a um relacionamento não é
tarefa das mais fáceis. Estamos em uma época que nos tornamos individualistas e
hedonistas, focados muito mais em nós mesmos e nossas necessidades do que
necessariamente em estar disposto a conviver com o outro. Isso torna a arte do
encontro um tanto difícil o que faz com que aplicativos para esse intuito
ganhem cada vez mais força. Um primeiro aspecto engraçado em relação a eles é
que se parecem muito com aquela novela que ninguém admite acompanhar mas todos
conhecem os personagens, sabe? Isso porque, por mais que eles sejam bastante
comuns entre os solteiros (e os casados também!), ainda somos muito conservadores
nesse quesito de relacionamentos e, junto com a possibilidade de achar sua cara
metade, vem também a vergonha de a estar procurando através de um app.
Mas
e como funcionam esses aplicativos? Com algumas variações, a maioria deles
segue a premissa de você ver fotos e perfil, decidir se gosta ou não da pessoa
e, se for recíproco - ou seja, se rolar o famoso match -, aí sim você
pode interagir. E há ali pessoas procurando de tudo: encontros casuais,
amizade, alguém com quem conversar (principalmente na pandemia) e, acredite ou
não, até relacionamento sério. No entanto, tenho que admitir que esse último
caso é certamente minoria e fica por ali perdido, tipo quando você vai ver uma
partida de futebol e percebe ao chegar no local que é de hóquei.
E
são exatamente esses que geram a lenda urbana dos que se casam via app. Você
sempre tem um conhecido, um amigo de amigo, que de fato conheceu sua
cara-metade lá, naquele menu virtual, em que tudo parece engordar mas nada
satisfazer. E isso faz com que as pessoas sigam tentando, sigam se relacionando
de diferentes formas, tentando encontrar quem busque o mesmo que eles. Isso,
claro, aqueles que vem essa prática como algo natural, algo da
contemporaneidade. Porque certamente ainda há aqueles que não se dão bem com o
virtual, que esperam que um amigo apresente alguém, ou que tenham aquele
encontro de comédia romântica, no mercado: os dois vão pegar o azeite ao mesmo
tempo, as mãos se tocam, os olhares se cruzam, e pronto! Amor à primeira vista.
No
entanto, apps ou não, a grande verdade parece ser a de que os opostos se
distraem, enquanto os dispostos se atraem. Somente quem está de fato aberto às
oportunidades, a se frustrar várias vezes até acertar é que chegará a algum
lugar. Porque, se não há amor sem dor, também é possível dizer que não há
felicidade sem amor, mesmo que ela não esteja em um simples match.
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