Feliz bom ano
Pois bem. Lá estamos nós de novo. Um ano que se inicia, mesmo que seja ainda um desses anos que não sabemos bem se irá valer para a nossa conta de anos vividos. Isso porque desde que entramos em pandemia e nos vimos forçados a deixar em stand by muitos dos hábitos que tínhamos, como viajar e encontrar pessoas, por exemplo, ou pular carnaval e ver os fogos da virada, brincamos, mas com um certo grau de verdade, que esses anos não contam, que agora estaríamos iniciando 2020 e não 2022. Mas será mesmo?
Datas festivas são sempre controversas pois há, de um lado, a tradição e de outro como nós decidimos passá-las. O ano novo certamente é uma dessas. Você pode vestir branco, pular sete ondinhas, comer a uva ou a romã, tomar champanhe, assim como você pode não fazer nada disso. Não são os rituais que fazem com que o ano que se inicia seja bom ou não, mas é sim o seu estado de espírito, a sua intenção para o ano. Se você acredita, por exemplo, que todo começo é sempre uma nova oportunidade irá dar mais valor para esse ano novinho em folha que se descortina diante de você. Imagina só, se cada novo dia já representa novas possibilidades, no dia 1º do ano você tem 365 novas chances.
Agora a questão talvez seja, chance de que? Daí nossas intenções de ano. E vejam que chamo de intenções e não de promessas. Isso porque na palavra promessa já há uma possibilidade de quebra, assim como tem implícito uma certa cobrança se algo der errado. Não, você não está prometendo nada a ninguém, mesmo que seja a você mesmo. Você está, isso sim, com uma concreta intenção de fazer algo e para isso irá dispor de sua energia e boa vontade. Conheço uns amigos que, para deixar esse compromisso mais real, fazem em família suas intenções. Primeiro repassam o ano que passou em conjunto e depois cada um verbaliza suas intenções para o próximo ano. O fato de não apenas você mas outras pessoas que se importam estarem cientes disso, parece que torna seu compromisso mais sério, algo que de fato você tentará seguir.
Nessa situação de planejarmos o novo ano, seja sozinhos ou em parceria, vale também ponderar o equilíbrio entre o desejado e o possível. Porque é claro que estamos entusiasmados com essa maravilha de um ano todinho para a gente, mas precisamos lembrar que ele não é uma prova de 100 metros rasos mas mais uma meia maratona. Será, por exemplo, que o que não conseguimos fazer em 10 anos, vamos fazer em um? Por isso penso que seja mais real começarmos nossos planos com mudanças de hábitos. Ao invés de pensar que vou emagrecer 15 quilos, por exemplo, posso pensar em hábitos saudáveis de alimentação e exercício que, provavelmente, resultarão em uma perda significativa de peso. Se eu quero ler mais nesse ano ao invés de pensar em ler 20 livros, penso em quando vou criar momentos de leitura ou como vou selecionar esses livros. Pensar no como e não na meta, já torna nosso objetivo muito mais alcançável.
Finalmente, compartilho o desejo de ano novo dos recebidos que mais me tocou. Uma prima desejou que a gente "cultive a alegria e a paz de espírito". Perfeito. Não podia ser escolha mais sábia. Porque sim, quem não quer paz e alegria? Mas agora, quem está disposto a cultivá-la? E de novo chamo atenção para o verbo. Eu, que já deixei plantas morrerem sem água, luz ou qualquer outra necessidade básica para sua vida aprendi que cultivar exige cuidado, exige atenção, exige carinho. E, não adianta esperarmos dos outros ou do próprio destino, do universo, seja lá o que for, que nos traga esses dois bens tão caros, se não tivermos a real intenção de sermos alegre ou estarmos em paz. Os dois são um estado de espírito. É o já manjado copo meio vazio ou meio cheio. Se eu sempre focar em problemas ou no que não dá certo, dificilmente serei alegre ou estarei em paz. Assim como o contrário também é verdadeiro. Para pessoa focada no positivo, qualquer prazer lhe diverte, tudo está bom ou cai bem. Nunca são as coisas ou as situações. Sempre somos nós. Nós, nos próximos 365 dias do ano. 362 para ser mais exata. Mas ainda dá tempo.
Ótima reflexão.
ResponderExcluirMaravilhosa como sempre ❤
ResponderExcluirQue lindo Marina, parabéns pelo texto!
ResponderExcluirFeliz ano novo, Marina! Desejo mais que alegrias, desejo felicidade para 2022 e além!!!
ResponderExcluirBeijo grande, amo seus textos reflexivos!